Relações Históricas Portugal-Irlanda
As relações bilaterais entre Portugal e Irlanda são históricas e os laços de amizade que unem os dois povos centenários. Os dois países partilham afinidades geográficas – a pertença à Europa Atlântica – ancestrais – nomeadamente um passado celta comum – e religiosas – a confissão católica – afinidades essas que ao longo dos séculos contribuíram para criar e fomentar fortes vínculos entre portugueses e irlandeses. A presença de ambas nações na Europa Comunitária é hoje em dia o eixo central desse relacionamento.
Achados arqueológicos do período Megalítico, bem como das idades do Bronze e do Ferro, apontam para os primeiros contactos entre a Península Ibérica e a ilha da Irlanda nessas eras remotas.
Durante o período medieval, registou-se um aumento do comércio entre os portos ibéricos e irlandeses e do intercâmbio de viajantes, tanto assim que já em meados do século XIV o monopólio do comércio de vinhos entre a Bretanha, a Irlanda e a Península Ibérica encontrava-se nas mãos das oligarquias mercantes de Galway, Limerick, Dingle, Cork, Youghal e Waterford.
O intercâmbio estendeu-se igualmente aos domínios cultural, religioso e intelectual, fenómeno nomeadamente patente nos irlandeses que, em especial nos séculos XVI a XVIII, estudaram nas universidades portuguesas de Évora, Coimbra e Lisboa.
A comunidade irlandesa em Portugal aumentou também devido à importante presença de um colégio especificamente irlandês em Lisboa, o Colégio Irlandês de St. Patrick (1590-1834), fundado por John Howling, natural de Wexford, de uma família com ligações comerciais à capital portuguesa.
Para a proximidade entre os dois povos muito contribuiu a circunstância de várias distintas famílias irlandesas se terem radicado em Portugal, definitiva ou temporariamente, sobretudo nos decurso dos séculos XVII e XVIII, de que são exemplo os O´Neill, os Medlicott, os Gallwey ou os Sarsfield.
Na esfera político-diplomática, a abertura da primeira legação irlandesa em Lisboa data de 1942, um importante passo institucional correspondido por Portugal no início da década seguinte.
Hoje em dia, a confluência de interesses entre os dois países consubstancia-se, em particular, na União Europeia e na partilha de valores, expetativas e anseios comuns enquanto parceiros europeus. Ambos integrantes da Zona Euro, Portugal e Irlanda deparam-se também nos tempos que correm com um desafio comum, o de superarem os constrangimentos financeiros que estão a afetar as respetivas economias.
De há alguns anos a este parte, os laços entre portugueses e irlandeses têm-se igualmente estreitado pela via do turismo, através das muitas centenas de milhares de irlandeses que, anualmente, passam férias em Portugal, em especial na região do Algarve.
Por outro lado, e no que contribui também para um melhor conhecimento mútuo entre os dois países, é já significativo o número de portugueses que se encontra a trabalhar na Irlanda, nomeadamente jovens quadros colocados nas sedes das empresas multinacionais instaladas em Dublin e em outras grandes cidades irlandesas.